RESENHA DO LIVRO “O SOLO DA LIBERDADE” NA REVISTA DE HISTÓRIA DA UNISINOS

HistóriaA resenha foi escrita pela historiadora e doutoranda em História da UFRGS, Débora Regina Vogt. O livro “O Solo da Liberdade” foi originalmente apresentado como dissertação de mestrado no PPG em História da Unisinos (São Leopoldo/RS), no ano de 2010. Teve orientação do Prof. Dr. Paulo Roberto Staudt Moreira. A banca foi composta pelos seguintes professores: Dra. Keila Grinberg (UNIRIO), Dra. Eliane Fleck (UNISINOS) e Dr. César Augusto Barcellos Guazzelli (UFRGS). O livro foi publicado pela Editora Oikós, em parceria com a Editora da Unisinos, em 2013. “O Solo da Liberdade” está disponível neste site, nas livrarias Cultura, Martins Livreiro e Ladeira Livros.

A resenha de Débora Regina Vogt saiu na Revista de História da Unisinos (Qualis A1) o ano passado e se encontra disponível neste site ou em:
http://revistas.unisinos.br/index.php/historia/article/view/htu.2016.203.15/5748

Leia uma breve descrição da resenha:

“A história do cotidiano, das disputas internas que muitas vezes não estão claras nos documentos, durante muito tempo passou alheia à historiografia. Interessava-nos a história global, das estruturas do sistema e do movimento maior que a tudo envolvia. O fenômeno da micro-história demonstra a mudança de visão sobre o passado. Nesse sentido, não é mais somente a grande estrutura que nos interessa, mas os indivíduos que fazem parte do jogo e que sentido eles deram para os contextos em que viveram. O Menocchio2, de Carlos Ginzburg, tornou-se inspiração para muitos personagens que desvendam uma faceta historiográfica que há algum tempo era desconhecida.

No entanto, é preciso salientar que o acesso a esses “homens e mulheres comuns” em geral não ocorre por suas falas autorais. Nós os encontramos nos documentos da justiça, no julgamento da Inquisição – caso de Menocchio – ou em outras fontes em que suas falas aparecem como testemunhos. Isso não invalida essa narrativa, mas demonstra a busca por esses sujeitos, que, por não representarem a elite letrada, muitas vezes estiveram distantes da historiografia. Essas histórias são excepcionais ao mesmo tempo em que são normais, ou seja, ao mesmo tempo em que têm seus dramas particulares, também são coletivas, já que compartilham experiências com inúmeros indivíduos contemporâneos. No caso da pesquisa em questão, os indivíduos compartilharam a vida fronteiriça, sofrendo os impactos das relações do império com o Prata, especialmente o Uruguai.

Tais fenômenos estiveram presentes também na historiografia sobre a escravidão, e o livro de Jônatas Caratti se insere nessa linha. Assim, autores como Azevedo (2006), Grinberg (2006) e Pena (2006) são exemplos na visão do escravo como personagem, que tem desejos, voz e luta também por sua liberdade. Esses trabalhos analisam, por exemplo, a atuação de advogados abolicionistas nos pleitos através das ações de liberdade, de manutenção da liberdade e da reescravização. Nesse contexto, são analisadas as disputas, acomodações e transformações da vida escrava e suas diversas formas de luta pela liberdade. Da mesma forma como Menocchio, os personagens em geral nos falam indiretamente através das fontes – a fala dos escravos é terceirizada –, mas nem por isso são perdidas, já que são capazes de demonstrar as lutas cotidianas e as possibilidades de liberdade no mundo atlântico.”

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