A Evolução

 

  • CONSCIÊNCIA HISTÓRICA E COTIDIANO ESCOLARQuero começar este artigo com uma pergunta: o que os estudantes aprendem de História (ou de qualquer outra matéria) ao longo de sua vida escolar? Talvez a resposta seja: muitas coisas, das primeiras civilizações até os últimos acontecimentos contemporâneos (alguns livros didáticos de História já mencionam as manifestações de 2013, por exemplo). Certo. Porém, é preciso desdobrar essa mesma pergunta: qual o nível de aprendizagem que estes estudantes alcançam? A resposta fica evidente nos próprios censos escolares. Apesar dos PCN’s (Parâmetros Curriculares Nacionais) terem renovado a matéria de História em fins da década de 1990, infelizmente os professores ainda não incorporaram totalmente essas mudança. Em outras palavras, no cotidiano escolar os estudantes continuam aprendendo a memorizar fatos, nomes e datas. E mesmo que um número ínfimo consiga memorizar tais informações, surge um novo questionamento – e para este texto, o principal: de fato, que mudança as aulas de História podem gerar na vida dos estudantes? Coluna semanal “Educando”, 19/07/2018 a 25/07/2018. Jornal regional A Evolução. Jaguarão / RS.
  • POR UMA EDUCAÇÃO ANTI-RACISTA NAS ESCOLASEstive na semana passada na cidade de Três Corações/MG, para participar como palestrante de um evento sobre Educação para as Relações Étnico-Raciais, organizado pela Secretaria Municipal de Educação de Três Corações, com apoio do SECADI/MEC e sediado na UNINCOR (Universidade do Vale do Rio Verde). Como já escrevi nesta coluna, defendo um amplo investimento na formação inicial e continuada dos professores e, sobretudo, para àqueles que em sua época de faculdade não puderam estudar e refletir sobre temas que têm recebido maior atenção na atualidade. Refiro-me ao combate ao racismo e a intolerância religiosa, por exemplo. A experiência de compartilhar sobre o tema das relações étnico-raciais na sala de aula, para professores de trinta e quatro municípios do Sul de Minas Gerais foi, deveras, indescritível. Principalmente por perceber que mesmo que a Lei 10.639 tenha quinze anos de existência, o racismo na sociedade e, especificamente, na escola está longe de acabar. Coluna semanal “Educando”, 12/07/2018 a 18/07/2018. Jornal regional A Evolução. Jaguarão / RS.

  • TRANSMISSÃO E REPRODUÇÃO X CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTO: A escola pode se tornar um lugar muito chato se não repensar sua filosofia (de humanidade, sociedade e de conhecimento) e seus objetivos como lugar de reflexão, criação e construção de conhecimento. O desinteresse e a desmotivação dos estudantes estão relacionados ao formato da escola atual, mas também ao seu fracasso em não conseguir construir coisas novas. O que leva milhares de professores e estudantes de todo o Brasil a saírem de suas casas e se dirigirem à escola? O que fazem na escola que não pode ser feito em sua casa? O formato da escola está esgotado e isso não é novidade para ninguém. Considero que o educador Fernando Becker, em seu livro “Educação e Construção do Conhecimento” trata de temas que são fundamentais para pensarmos e repensarmos o que fazemos na escola. Coluna semanal “Educando”, 07/06/2018. Jornal regional A Evolução. Jaguarão / RS.
  • CONSELHO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO: ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS: Há poucos dias, o Conselho Nacional de Educação (CNE) deu início ao ciclo de audiências públicas para debater a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), etapa do Ensino Médio. O fato nos faz refletir sobre o papel dos conselhos e querer conhecer melhor suas atribuições e competências. Especificamente, nos parece relevante tratar do Conselho Municipal de Educação (CME) de Jaguarão, por ser mais próximo de nossa realidade. Assim, este texto trata de compreender o papel dos conselhos de Educação e ao mesmo tempo perceber suas contribuições para uma melhor qualidade da educação na cidade. Coluna semanal “Educando”, 17/05/2018.  Jornal regional A Evolução. Jaguarão / RS.
  • AVALIAÇÃO E COTIDIANO ESCOLARNesta semana começaram as inscrições do Exame Nacional do Ensino Médio 2018. O ENEM é apenas uma das avaliações organizadas e realizadas pelo INEP, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, autarquia do Governo Federal. Juntam-se a ele o ENCCEJA (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos), o ENADE (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), a Provinha Brasil, entre outros métodos de avaliação que são utilizados pelo Estado para inferir sobre a aprendizagem de milhares de estudantes do país. Os resultados obtidos por meio do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), por exemplo, são empregados para traçar metas educacionais, mas também para obter empréstimos junto ao Banco Mundial. Portanto, são muitas as motivações que levam o Governo Federal a investir na avaliação de nossos estudantes e, por vezes, por estarmos. Coluna semanal “Educando”, 11/05/2018.  Jornal regional A Evolução. Jaguarão / RS.

  • FORMAÇÃO DE PROFESSORES E CONDIÇÕES DE TRABALHO: Há algumas semanas atrás, escrevi um artigo em que tratei da importância da formação inicial e da necessidade de se construir um espaço de aprendizagem, diálogo e autoria ao longo do curso. Apesar do considerável aumento na carga horária (400 horas), as licenciaturas precisam superar ainda a dicotomia entre prática e teoria, pois o período de estágio supervisionado na escola permanece no final do curso, reproduzindo um modelo antiquado, que diferencia o conhecimento entre saber e o fazer. Sabemos que para “dar aula” é imprescindível pensar, refletir e não apenas contar com uma ação performática. Em outras palavras, para chegar numa sala de aula e construir conhecimento, o professor precisa pensar sobre sua prática, considerá-la objeto de pesquisa, perceber os problemas de ensino aprendizagem como situações que merecem ser refletidas e solucionadas. Coluna semanal “Educando”, 05/05/2018. Jornal regional A Evolução. Jaguarão / RS.
  • POR MENOS COCARES DE PENA NO “DIA DO ÍNDIO” E MAIS DISCUSSÃO SOBRE A CULTURA E IDENTIDADE DOS POVOS INDÍGENAS: A Lei 11.645 de 2008 veio tornar obrigatório, com décadas de atraso, o ensino da história e da cultura indígena em sala de aula. Alguns anos antes, em 2003, o mesmo aconteceu com a temática do negro e de seus descendentes. A Lei 10.639 foi uma importante conquista do movimento negro, que resistia e protestava há décadas pela inclusão de sua história na sala de aula. Ambos, indígenas e negros, excluídos desde muito tempo, queriam entrar na história. Mas não só na história presente nos livros didáticos. Queriam ser vistos e ouvidos pela sociedade que os explorou. Pois, a forma como negros e indígenas são percebidos hoje na escola é um espelhamento da dura realidade que enfrentam cotidianamente. Coluna semanal “Educando”, 26/04/2018. Jornal regional A Evolução. Jaguarão / RS.
  • EDUCADOR E EDUCANDO: A PEDAGOGIA DE PAULO FREIRE: Desde que iniciei essa coluna sobre educação pensei num artigo que expressasse minha escolha pelo título “Educando”. A expressão pode até ser dúbia: um espaço para educar, um lugar de compartilhar reflexões sobre educação; mas também pode ser uma provocação à educação tradicional, que por trás dos termos como professor e aluno, limita o diálogo, o ensino-aprendizagem e a construção de conhecimento transformador. Meu primeiro contato com Paulo Freire foi a partir do livro Pedagogia do Oprimido, escrito no Chile no ano de 1968, quando o autor vivia exilado em virtude da Ditadura Civil Militar que ocorria no Brasil (1964-1985). Neste livro, Freire explica que a educação bancária é opressora e reproduz as desigualdades. Por isso, termos como professor e aluno não são encontrados em seus obras. O autor defende que o ato de educar deve ser dialógico e que ambos, educador e educando, tem o compromisso com o respeito, com a autonomia e a liberdade de pensamento.Coluna semanal “Educando”, 19/04/2018. Jornal regional A Evolução. Jaguarão / RS.
  • A BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR DO ENSINO MÉDIO: Na semana passada, o MEC entregou ao Conselho Nacional de Educação a versão final da BNCC do Ensino Médio. Agora é só esperar a avaliação positiva dos conselheiros para que a mesma seja homologada. Escrever sobre a BNCC e o Ensino Médio têm sido inevitável, pois é o assunto do momento. Como os leitores já devem ter percebido, minha percepção a respeito da temática da educação passa por um olhar sobre o que é contemporâneo, atual, buscando compreender as complexas estruturas da sociedade. Porque até podemos não gostar de ler ou falar sobre política e economia, mas essas dimensões estão o tempo inteiro influenciando e modificando nossos currículos escolares. É isso que tenho aprendido com a leitura de “Como se faz análise de conjuntura”, de Herbert José de Souza (Betinho), que mostra a importância de categorias como “acontecimentos, cenários, atores, relações de forças e articulação entre estrutura e conjuntura”, como ferramentas fundamentais para analisar a realidade social (SOUZA, 1984, p. 9). Coluna semanal “Educando”, 12/04/2018. Jornal regional A Evolução. Jaguarão / RS.
  • PLANEJAMENTO E COTIDIANO ESCOLARLecionei por alguns anos a matéria de História na Rede Básica de Ensino da região Metropolitana de Porto Alegre. Portanto, conheço bem o cotidiano do professor: muito tempo em sala de aula, pouco tempo para construir, pensar e refletir sobre seus planejamentos. É curioso. Justamente a profissão que mais necessita estudar, é aquela que possui menos tempo para desempenhar sua árdua tarefa. Não é só curioso, é trágico. Por isso, fico muito surpreso com a mudança realizada pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre no que se refere a HAFE: Hora Atividade Fora da Escola. Por direito, os professores são dispensados de um turno por semana para preparar suas aulas. Na verdade, é um tempo simbólico. Todos sabem que o professor precisa de muito mais do que isso. Mas a gestão Marchezan Jr. (PSDB) insiste em andar para trás. Porque se o professor precisa de mais tempo para aprender a ensinar, para ler jornais e revistas, para assistir filmes e ir a museus e teatros, é lógico que retirando esse tempo se está invalidando o planejamento do professor. Coluna semanal “Educando”, 05/04/2018. Jornal regional A Evolução. Jaguarão / RS.

  • PIBID, RESIDÊNCIA PEDAGÓGICA E FORMAÇÃO DE PROFESSORESA formação de professores é historicamente uma das principais reivindicações do movimento sindical docente. Desde 2001, o Plano Nacional de Educação também se utilizou dessa pauta, juntamente com a busca da universalização do Ensino Médio, do aumento de vagas e da redução da repetência e da evasão. Obviamente, esses elementos estão interligados. Se a Educação Básica tem fracassado não é por um motivo isolado. Uma educação de qualidade passa por uma boa formação inicial e continuada, melhor ambiente de trabalho e salários dignos. Hoje vamos falar sobre o tipo de formação que os professores têm recebido e se as políticas públicas em Educação atuais conseguem de fato preparar o professor para o dia-a-dia em sala de aula. Coluna semanal “Educando”, 29/03/2018. Jornal regional A Evolução. Jaguarão / RS.
  • O NOVO ENSINO MÉDIO JÁ NASCEU VELHO! O Novo Ensino Médio já nasceu velho. A “nova” proposta curricular embelezada pela inspiradora expressão “percurso formativo”, esconde uma perversidade: a flexibilização da última etapa da Educação Básica e por consequência um sério risco para a formação crítica dos estudantes. Vejam. Não estou fazendo a crítica apenas pela crítica. Evidentemente, algo precisa ser feito. Taxas elevadas de reprovação e evasão no Ensino Médio certamente indicam problemas. O Censo de 2017 fez essa fotografia e devemos nos preocupar com tal cenário. Contudo, o caminho aberto pela Medida Provisória nº 746, de 2016, a chamada Reforma do Ensino Médio, que posteriormente virou a Lei n° 13.415 de fevereiro de 2017, é deveras problemática. Diversas entidades e pesquisadores de políticas públicas em Educação apontam para este mesmo argumento. É sobre isso que quero falar neste texto. Coluna semanal “Educando”, 23/03/2018. Jornal regional A Evolução. Jaguarão / RS.
  • BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR: POR QUE PRECISAMOS DEBATER? Inauguro esta coluna dedicada a temática da Educação, tratando de um assunto muito comentado entre professoras e professores de todo o Brasil. Refiro-me a BNCC, a Base Nacional Comum Curricular, que vem para alterar o currículo escolar e trazer mudanças significativas no trabalho dos educadores. Se o conteúdo da BNCC por si só já alimenta calorosas discussões, é fundamental compreendê-la no âmago das políticas de Educação dos governos de Dilma Rousseff e de Michel Temer, avaliando a conjuntura atual e as motivações para sua homologação. Em outras palavras, é preciso atentar para os rumos políticos de nosso país para compreender o lugar da BNCC no projeto educacional brasileiro. Coluna semanal “Educando”, 15/03/2018. Jornal regional A Evolução. Jaguarão / RS.

 

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